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sábado, 5 de março de 2011

Prosa

“Tive medo. Sabe? Tudo foi isso: tive medo! Enxerguei os confins do rio, do outro lado. Longe, longe, com que prazo se ir até lá? Medo e vergonha.

...) Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar (...) E o canoeiro me contradisse:

‘– Esta é das que afundam inteira. É canoa de peroba. Canoa de peroba e de pau-d’óleo não sobrenadam...’

Me deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto boas canoas boiantes (...) e a gente tinha escolhido aquela... Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra!”

Grande Guimarães - com sua voz narrativa conta trecho de uma conversa numa travessia do São Farncisco. Mestre maior da língua portuguesa.

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